Joaquim Jorge
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O Medo – Carlos Drummond de Andrade

April 10th 2010 in Cultura Geral, Textos

Não quero viver com medo, não quero viver o medo… mas respeito as pessoas que fazem do medo a sua maior defesa para não terem de viver…  com pena pela existência triste a que se condenam; essas que incapazes de ir à luta, ou simplesmente acomodadas no seu cantinho de aldeia, incapazes de compreender o que estará além do mar e incapazes de fazerem a travessia classificam tudo o que não entendem e sentem como medo…

Que o vivam e sintam, para melhor poderem rezar pela divina intervenção e terem depois um segundo motivo para justificarem o embotamento das suas vidas emparedadas, mas pseudo-simples…

Eu… eu quero viver…

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo…
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas

do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes…
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.


2 comments to...
“O Medo – Carlos Drummond de Andrade”
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Lua

O medo não povoa a mente daqueles que vivem lado a lado com esse medo. Na minha perspectiva, não se deve combater o medo, mas caminhar de mãos dadas com ele. O medo incendeia a nossa mente para ficarmos em alerta, para nos fazer guiar.
Não tenhas medo de ter medo!


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Infinita

Nos becos da tua azulada programação existencial
Reinam profundos e latentes ventos que te direccionam, que te empurram.
Que empurras!
Que direccionas!
Tu és o vento!
Tu és a direcção!
Tu és o desnorte! Tu és o rumo!
Tu és a viagem consagrada que impulsiona o teu coração e o dos outros.
E isso, não é programação……..

Somente…a simplicidade do teu coração!!

Obrigada por eixistires!




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Não sou um especialista em filmes, não entendo muito sobre crítica cinematográfica. Gosto de ver filmes e acima de tudo gosto de uma boa história que me faça reflectir sobre as coisas, que me abra novos mundos ou que, simplesmente me faça acreditar que já existiram ou existem pessoas ou momentos realmente especiais e únicos.
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